O METICAL E OS DESAFIOS DO FUTURO
02.Nov..2015

Discurso de Sua Excêlenc ia Filipe Jacinto Nyusi, Presidente da República por ocasião do 20º Aniversário do Millenium BIM.

Maputo, 29 Outubro de 201


Senhor Engenheiro Rui Fonseca, Presidente do Conselho de Administração do Millenium BIM;

Senhor António Monteiro, Presidente do Conselho de Administração do Millennium BCP;

Senhores Ministros e Vice-Ministros;

Senhor Joaquim Chissano, Antigo Presidente da República de Moçambique;

Senhores Representantes dos Accionistas do Millenium BIM;

Senhores Administradores e Directores do Conselho de Administração do Millenium Bim;

Senhora Governadora da Cidade de Maputo;

Senhor Presidente do Conselho Municipal da Cidade de Maputo;

Senhores Membros do Corpo Diplomático;

Estimados funcionários do Millenium Bim;

Caros clientes do Millennium Bim;

Distintos Convidados;

Minhas Senhoras e Meus Senhores!

Honra-nos presenciar este evento inserido nas celebrações do vigésimo aniversário da presença do Millennium BIM no mercado moçambicano.

Por outras palavras dizer, metade da idade da Nação Moçambicana o Millenium Bim foi o parceiro real do desenvolvimento de Moçambique.

Por esta ocasião, apresentamos as nossas felicitações aos Membros do Conselho de Administração, os Directores e, aos cerca de 2,500 colaboradores que esta instituição possui em todo território nacional.

Saudamos igualmente os representantes de todas as instituições aqui presentes, em especial as que integram o sistema bancário moçambicano.

Pelos 20 anos do Millennium Bim, saudamos também o nosso Banco Central, pelo seu papel na implementação da estratégia nacional de desenvolvimento do sector financeiro.

Mesmo perante inúmeras adversidades que a conjuntura nacional e internacional apresenta, apraz-nos constatar que o sistema financeiro moçambicano mantém-se sólido.

Um sistema financeiro que continua a atrair capitais nacionais e de diferentes partes do mundo. UM sistema finceiro que continua a prometer.

Quando reunimos com os representantes dos professores, dissemos que iríamos encorajar uma reflexão conjunta sobre a situação económica do país e actos de transparência na distribuição de rendas.

Caros Convidados;

Minhas senhoras e meus senhores!

Permitam-nos que usemos este espaço para iniciarmos com este processo partindo duma avaliação do nosso sistema financeiro.

Nos últimos dez anos testemunhamos o aumento e diversificação de instituições financeiras que operam no mercado moçambicano.

O número de bancos passou de 12 para 18.

Realçamos a sua implantação física através de 633 balcões em 70 distritos do País.

Neste crescimento o adolescente banco que hoje celebramos suas duas dêcadas foi determinante.

É o banco pioneiro que acreditou na economia Moçambicana, e teve coragem para desafiar o sector público que nunca esteve desafiado aos serviços bancários privados.

Da banca privada esperamos sempre mais e melhor oferta de serviços e produtos. Esperamos a custos competitivos nas diversas parcerias que este sector promove com o sector privado, com o sector familiar e com a administração pública.

Os riscos presentes na conjuntura económica e financeira internacional tornam aliciantes os desafios que temos pela frente.

Só juntos e concertados, instituições do Governo, instituições financeiras, sector privado e a sociedade em geral, podem buscar soluções e políticas públicas mais ajustadas à presente fase do nosso desenvolvimento económico e social.

Minhas Senhoras e Meus Senhores!

O sistema financeiro é vital para qualquer economia. É um factor propulsor para o investimento e desenvolvimento. Moçambique não é, portanto, excepção.

Na verdade, é no sistema financeiro que os Moçambicanos depositam grande parte das suas poupanças.

É onde as empresas vão buscar o capital circulante de que necessitam para manter os níveis de produção.

É onde financiam a expansão dos negócios através de novos investimentos.

Uma economia sem um sistema financeiro inclusivo e abrangente fica sem oxigénio. Perde assim a sua vigorosidade e capacidade transformativa.

Para o governo é prioridade, a promoção de um sistema financeiro capitalizado e robusto com capacidade de acompanhar as necessidades crescentes da nossa economia em particular no meio rural.

Só com a expansão e modernização da rede bancaria poderemos conferir uma plataforma de serviços e transações comercias para revolução económica que pretendemos.

Minhas Senhoras e Meus Senhores!

Apraz-nos reconhecer que o Millennium BIM tem respondido positivamente aos apelos lançados pelo Governo. O Millennium Bim mantém hoje uma presença em todas as capitais provinciais e em 57 Distritos do País.

O Millennium Bim está a dar uma contribuição significativa para a inclusão financeira, cuja taxa actual é de 14,2% e para a elevação da taxa de bancarização, a rondar os 27%.

A aposta numa abordagem de permanente inovação, modernização e expansão, fez com que o Millennium BIM figurasse na lista dos 100 maiores bancos de África, facto que muito nos orgulha e engrandece.

Entre os registos positivos do crescimento do sector financeiro, perfilam-se os desafios do presente e do futuro. Nesses desafios contamos igualmente com o sempre exemplar desempenho do Millennium BIM .

Queremos convidar a este corajoso banco o Millennium Bim na companhia de outros que dia- a- dia dão a sua contribuição para o crescimento económico de Moçambique a reflectir sobre os seguintes aspectos:

(i) Que soluções inovativas adoptar de modo que os bancos possam financiar mais as actividades como a agricultura, pescas, agro-indústria, mineração e turismo de baixa e média renda;

(ii) Como é que as instituições financeiras podem contribuir ainda mais para acelerar o processo de formalização da economia;

(iii) Que acções estratégicas devem ser adoptadas para o apoio as Pequenas e Médias Empresas;

(iv) Qual o contributo que os bancos podem dar na educação financeira e para a promoção de hábitos permanentes de poupança e o seu investimento produtivo;

(v) De que forma os bancos podem intervir não apenas na expansão da oferta de serviços financeiros, mas igualmente na melhoria da qualidade da procura dos serviços financeiros;

(vi) Como ter produtos financeiros que permitam financiar, a custos comportáveis, a habitação para os clientes de média renda.

Caros Convidados!

O nosso sistema financeiro, tem desafios económicos e sociais.

No lançamento do novo ciclo de governação desafiamo-nos a encorajar o sector financeiro para que todos distritos tivessem banco. Reafirmo este nosso desafio da aceleração da bancarização rural de Moçambique a todos bancos do sistema financeiro.

A construção de um país prospero não se compadece com o professor, o enfermeiro ou qualquer outro cidadão que ainda viaja duzentos quilómetros para ter a sua renumeração, o seu salário, ou recolher a sua ainda magra pensão.

Este acto é uma das formas de exclusão.

A exclusão aos serviços financeiros da mulher, o jovem que hoje representam mais de cinquenta porcento da população Moçambicana, não só constitui uma violação dos direitos humanos como também, limita o nosso potencial de crescimento económico do Pais.

Sobre o lema UM DISTRITO UM BANCO deixo o repto ao Millenium e a todo sistema financeiro da Bancarização de Moçambique.

Caros Convidados;

Minhas Senhoras e Meus Senhores!

Permitam me que igualmente use esta ocasião proporcionada pelo Millennium Bim para uma reflexão sobre um tema da actualidade “O Metical e os Desafios do Futuro”.

Portanto, como vêem, não vamos fazer o habitual discurso duma abordagem geral, preferimos partilhar a nossa visão ponderada sobre a nossa moeda, o metical, que este ano completou 35 anos.

Uma reflexão que acreditamos que será desenvolvida e enriquecida pela analise critica da sociedade.

O Metical é símbolo da nossa soberania, da nossa independência.

Dai que a sua preservação tem em vista assegurar que ela cumpra todas as funções que lhe estão reservadas: unidade de conta, meio de pagamento e reserva de valor.

Ao longo da nossa história o Metical tem registado períodos de robustez e de turbulência. Estes fenómenos estão associados à condições específicas da conjuntura doméstica e internacional.

Por exemplo, no presente ano o Metical acumula uma flutuação acentuada, de aproximadamente 27,5% entre Dezembro de 2014 e a primeira quinzena de Outubro de 2015.

O Dólar atingiu a fasquia de 45,0 Meticais segundo estatísticas das transações efectuadas pelos bancos comerciais com a sua clientela.

O Metical não é caso único, embora a sua trajectória ao longo dos anos nos orgulhe.

Só para citar alguns exemplos, o Euro perdeu 12% do seu valor até Setembro de 2015 face ao Dólar americano.

O Yen Japonês perdeu 10% do seu valor, o Rublo da Rússia perdeu 52% do seu valor, o Real do Brasil 54%.

Ao nível das economias da região da SADC, o Kwacha Zambiano perdeu 86,5% do seu valor, o Kwacha Malawiano 20,6%, o Kwanza Angolano 36,8%, o Shilling Tanzaniano 28,3% e o Rand Sul-Africano 19,1%.

E nós, Moçambique o metical perdeu 33,9% do seu valor. Portanto a baixo do que perdeu a moeda da Rússia, do Brasil de Zâmbia, de Angola e outras, embora não seja motivo de pouca preocupação.

Nesta correlação de forças, o fortalecimento do dólar reflecte o desempenho e a recuperação da economia dos Estados Unidos da América dos efeitos da crise financeira económica internacional de 2008.

Ainda que o fortalecimento do Dólar americano seja um factor a tomar em conta, a volatilidade que afecta o Metical tem outras causas.

Não podemos responsabilizar o dólar porque este, está a visualizar o respectivo produto do seu país. É a obrigação da sua economia, devemo-nos preocupar com a nossa.

No mercado internacional, o fortalecimento do Dólar tem sido acompanhado pela queda dos preços das matérias primas.

Moçambique exporta basicamente energia, gás e matérias primas como alumínio, algodão e açúcar.

Numa conjuntura adversa de queda dos preços internacionais, as receitas das exportações moçambicanas são penalizadas.

Ademais, é preciso ter presente que nos últimos anos, o País tem sido afectado no início de cada ano por cheias que destroem culturas alimentares, infraestruturas sociais e económicas.

Esta situação agrava o cenário estrutural de baixa produção e produtividade agrícola e pressiona as importações de bens de consumo e de capital.

É um problema que nos remete ao esforço para a gestão da natureza que em 40 anos ainda não fizemos muito.

Por exemplo, no primeiro semestre do presente ano, as importações tradicionais subiram cerca de 17%, contra um aumento de apenas 0,5% nas exportações tradicionais.

O efeito combinado destes dois factores ,agravou o défice da nossa balança de transações correntes, que já era estruturalmente deficitária.

Em cada ano o País regista maior saída de divisas do que de entradas, actoque tem sido superado com recurso à ajuda externa.

Significa que estamos a consumir mais do que produzimos.

Observamos assim uma menor disponibilidade de divisas no mercado cambial, contribuindo deste modo para uma maior volatilidade da taxa de câmbio do Metical.

Esta situação tem sido igualmente agravada pelo encarecimento desonesto de alguns operadores financeiros no que refere ao mercado cambial.

Em 2014, portanto, no ano passado, o país recebeu 314 milhões de Dólares, para além de ter adicionado receitas de mais-valias recebidas em divisas, contra 205 milhões nos primeiros nove meses deste ano de 2015 sem mais-valias.

Este ano verifica-se que a capacidade financeira foi associado à queda do Investimento Directo Estrangeiro. É uma realidade pelas razões que temos vindo a partilhar com frontalidade.

Neste contexto, os bancos comerciais acabam competindo pelos exíguos recursos do Estado. Num contexto em que as responsabilidades para com a dívida externa aumentaram em 2015 quando comparado com 2014.

A divida é de 251 milhões de Dólares nos primeiros nove meses, contra 135 milhões em igual período de 2014.

Fica clara uma maior exposição do Metical às intempéries de uma conjuntura adversa.

Este gráfico que agora vivemos não foi influenciado por uma jornada de trabalho. Ela resulta duma realidade cumulativa que nos remete a mais concentração no programa de produção intensiva.

Igualmente não temos remorso de dizer que estamos a principiar um novo ciclo de governação com a menor disponibilidade de divisas que decorre também da redução dos níveis de ajuda externa ao nosso País.

Esta realidade não deve nos colocar na situação de desespero.

Esta situação deve nos desafiar como dirigentes, como país, como sistema financeiro dum país independente, para elevar os indicadores para um desenvolvimento económico sustentável.

Não obstante o elevado nível de enfraquecimento do metical em relação ao Dólar, o desempenho da economia nacional, avaliado pela evolução recente dos principais indicadores macroeconómicos, continua satisfatório.

Com efeito, a inflação continua baixa e controlada (em Setembro a inflação anual foi de 2,7%, contra o objectivo do ano de 5.5%, e a média foi de 0,8%, contra a meta de 4%); o Produto Interno Bruto do I semestre foi de 6,3%, embora abaixo dos níveis de 2014, mas dentro da trajectória consistente com o objectivo traçado para todo o ano de 2015 de 7,5%.

Caros Convidados!

Temos como Governo, como um país a obrigação de encontrar soluções.

Temos a obrigação de transformar esta situação conjuntural em grande oportunidade.

De resistir a medidas paliativas e implementar reformas estruturais no nosso tecido produtivo.

É hora de acordar do sonho infinito, de simples vontades e começar a produzir de forma competitiva e multissectorial.

Este é o caminho que escolhemos para nossa economia , um caminho que exige coragem rumo a sustentabilidade.

Um caminho que impõe uma nova forma de atuação do estado, do sector privado, do sector financeiro e da sociedade em geral .

O ano de 2015 ficara marcado pelo exercício interno necessário de consolidação das contas publicas.

Permite-nos projectar maior rigor de investimento publico; e uma inversão na política de subsídios de importação para subsídios a produção.

A base sólida de contas publicas que estamos a construir representa um pilar para reformas estruturantes que pretendemos desenvolver ao longo dos próximos anos.

Pretendemos estimular a economia produtiva , através de reformas e estímulos em sectores onde Moçambique é naturalmente competitivo.

Encorajamos critérios de empregabilidade, destacamos para agricultura , energia e turismo, sem deixar de estimular outros sectores igualmente competitivos.

O ano de 2015 fica igualmente marcado pela resiliência demostrada pelo nosso sector privado , os fazedores da economia.

Um sector privado que também é povo que aproveitamos para estender os nossos respeitosos cumprimentos.

Continuaremos a caminhar juntos para capitalização ; incentivando o investimento estrangeiro sem dependências e sem adiar o sonho colectivo de um povo.

A estabilidade da moeda exige o aumento sempre crescente da produção e produtividade, assim como o esforço de vigilância contra todos os actos e tentativas de utilizar indevidamente a nossa moeda.”

Com coragem, concertação e sabedoria, juntos faremos o que tem que ser feito.

Aos Gestores e funcionários do Millennium Bim;

Ao Sector Financeiro;

A todo o povo Moçambicano!

Escolhemos este momento em que reflectimos a firmeza dum Banco Nacional para traduzir a consciência que temos sobre o que fazemos, e deixar claro a responsabilidade que o país tem quando apelamos cada vez mais a necessidade de estabilidade para trabalharmos, para produzirmos.

É com confiança e distante do centro especulativo que projetamos uma economia de oportunidades e a crescer para os próximos anos.

Quero assegurar que o meu Governo vai fazer a sua parte, com realce para o aprimoramento do quadro legal e normativo e assegurar a sua efectiva implementação.

Referimo-nos a implantação de infra-estruturas essenciais para a instalação de serviços financeiros com destaque para energia, telecomunicações e estradas.

Referimo-nos ao fortalecimento do capital humano e a expansão da descentralização financeira para o nível local.

A terminar, auguramos que na Gala dos 30 anos, repito dos 30 anos, o Millennium Bim já esteja presente em todos os Distritos do País, e tenha jogado um papel de destaque na elevação significativa das taxas de bancarização e de inclusão financeira em Moçambique.

Bem haja o Millennium BIM, e a sua acção de prover serviços financeiros aos empreendedores que acreditam que investir em Moçambique é seguro e rentável!

Parabéns Millennium Bim.

Obrigado pela atenção!

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