Comunicação Social como veículo para a promoção e manutenção da Paz
23.Nov..2015
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Discurso de Sua Excelência Filipe Jacinto Nyusi, Presidente da República de Moçambique, alusivo a Conferencia Nacional sobre Comunicação Social, Violência e Paz

Maputo, 23 de Novembro de 2015

Permitam-me saudar a todos os participantes desta conferência, particularmente, os profissionais de comunicação social de Moçambique, cujo trabalho abnegado tem contribuído, para a promoção, defesa da Paz e da Unidade Nacional.

Felicitamos o Conselho Superior de Comunicação Social e todos aqueles que participaram na concepção e organização desta Conferência que marca a primeira maior aparição pública do novo elenco deste órgão. Certamente este acto legitima a nossa opção neste elenco.

Este evento tem, desde logo, o mérito de trazer a debate um tema actual e oportuno. O papel da Comunicação Social para combater a Violência e promover a Paz. É um assunto da maior urgência e acuidade numa altura em que a sociedade clama por uma paz duradoira para o nosso país.

Estamos certos que esta conferência será uma excelente oportunidade para que os profissionais do sector possam debater as suas ideias sobre questões estratégicas mas sobretudo os modos concretos de intervenção.

São essas intervenções que realmente importam. São elas que educam para a mudança, são elas que criam uma atitude de confiança no presente e de esperança no futuro.

Esta é uma das formas de implementar o que dissemos durante a nossa investidura. Sabemos de inadiável urgência da Paz.

Temos que falar de Paz não apenas quando somos directamente ameaçados pela guerra. A verdadeira Paz é uma cultura de escuta e de diálogo construtivo.

A Paz duradoura nasce do modo como nos sentimos uma única família, cada um com a sua história e o seu modo de pensar, mas unidos pela pertença a uma mesma História.  

Há 40 anos que a comunicação ajuda a tecer os fios dessa epopeia que é a construção da nossa moçambicanidade.

Estamos certos que neste espaço de debate se encontrarão formas de reforçar essa contribuição para um Moçambique em que todos possam viver sem medo. Sem medo dos outros, sem medo do futuro.

A Violência é um outro tema que aqui se irá debater. Todos sabemos que não existe uma única Violência. Há formas mais visíveis de violência que todos conhecemos. Mas subsistem formas mais ocultas e silenciosas que é necessário denunciar.

A violência contra as mulheres, contra os albinos, contra as viúvas, contra os idosos e as crianças e todos os grupos indefesos, toda essa violência deve ser uma preocupação permanente da nossa comunicação social. É imperioso continuar a identificar e denunciar os casos e as tendências negativas.

Mas é igualmente necessário recolher histórias concretas que sejam exemplares por aquilo que têm de positivo. É preciso falarmos das inúmeras pessoas que constituem um modelo de bravura no combate ao crime e à violência.

É preciso que a nossa informação fale de gente que se notabilizou por acções solidárias e de ajuda aos seus irmãos desfavorecidos. É preciso, enfim, divulgar o mérito de todos os que constroem uma nação mais solidária, mais pacífica e com valores morais.

Mais uma vez, a informação pode funcionar como uma grande sala de aula onde diariamente se aprende ética e humanidade.

Em muitas sociedades, a  violência já não é apenas num fenómeno localizado e temporário. Transformou-se numa cultura. Para contrariar essa cultura nunca é bastante o uso de forças policiais.

É preciso responder com uma cultura de não violência, uma cultura de diálogo e de debate aberto e permanente. Essa cultura tem que ser reproduzida quotidianamente nos nossos órgãos de comunicação.

Cada jornal, cada estação de rádio ou de televisão devem ser uma sala de aula onde aprendemos cidadania, convivência e o sentimento de pertença a uma mesma família.

Caros jornalistas!

O jornalismo ajuda a consolidar uma Nação. A comunicação faz-nos lembrar que não há longe nem perto quando se trata das terras e da gente de Moçambique.

Diariamente, sentimos o pulsar do Estado em todos os recantos da nossa Nação. Diariamente vozes de Lichinga são ouvidas em Tambara ou em Funhalouro; rostos de Marracuene ou de Tsangano são vistos em Montepuez; músicas de Namialo são ouvidas em Chibabava ou em Milange.

Quando tudo isto acontece estamos, de uma forma viva e personalizada, a tecer os fios dessa grande construção que é a nossa unidade nacional.

E, de facto, a consolidação da Unidade Nacional continua a ser a nossa grande prioridade. Porque dessa unidade efectiva e vivida por todos resulta um clima mais favorável à Paz e ao fim da violência.

Deste modo, continuaremos nos nossos discursos de Estado, estes que não cansaremos de alimentar a Nação, a proclamar a necessidade de uma nação unida e coesa.

Continuaremos a defender uma nação imune a qualquer tentativa de divisionismo.

Para que esta mensagem se torne parte da vida de cada moçambicano, é preciso que ela se converta em episódios concretos, em histórias de pessoas que têm um nome e um rosto.

Esta é missão de todos, ninguém pode fazer sozinho aquilo que dizemose sabemos que é bom para todos.

É um ponto assente que um dos maiores deveres da informação é a sua actualidade. É preciso noticiar em tempo certo o que se passa no país e no mundo.

Mas é igualmente importante não esquecer o trabalho de reportagem que visita os lugares e as pessoas de todos os recantos do território Nacional.

De todo o modo, meus caros amigos, não se trata apenas de fazer notícias. A forma como se produz uma notícia é tão importante como o resultado final.

O jornalista deve escutar com isenção todas as partes envolvidas. Deve dar voz a todos,  sem exclusão. Se assim proceder, com isenção e profissionalismo, a informação é um espaço de exercício da democracia.

É um espaço de exercício do diálogo construtivo. E dialogo, todos sabemos, constitui um dos pilares de uma Paz verdadeira e sustentável.

Caros Gestores de Empresas Jornalísticas;

Caros Directores e Editores;

Caros Jornalistas!

Moçambique é um país que se orgulha do respeito pela liberdade de imprensa e de opinião. Caros jornalistas são testemunhas porque viajam em movimento, viajam tecnologicamente e estabelecem comparações.

Essa conquista deve ser defendida não apenas a nível político e institucional mas sobretudo pelo brio e profissionalismo dos próprios trabalhadores da comunicação social.

Dissemos antes que as boas ideias não ter cor partidária. Pois o bom jornalismo tem uma única cor: o respeito pela Verdade.

Para chegar à Verdade, porém, há um trabalho apurado a ser feito. É preciso investigar os factos, escutar e interrogar as fontes e ser eticamente responsável.

O progresso de Moçambique, num caminho de harmonia e crescimento, dependem de uma informação de qualidade, dependem de uma informação crítica, patriótica e construtiva de futuro. 

Os meios de comunicação não são apenas formas de informar, educar e entreter. São mecanismos de troca e de diálogo em que o cidadão comum deve encontrar espaço de participação activa.

O debate democrático da nossa nação deve continuar a ser promovido pelos nossos órgãos de comunicação. Queremos uma paz positiva que assente na ausência da violência mas também na construção de harmonia e justiça social.

Por isso, a comunicação social deve continuar a lutar por merecer credibilidade e estatuto de "olheiros do cidadão", monitorando o desempenho legal e ético das instituições públicas e privadas dos seus respectivos titulares.

A comunicação social deve agregar valor nos processos de promoção e consolidação da paz, para merecer o estatuto de "reserva moral da sociedade" e mediador entre os cidadãos e entre estes e as instituições.

Comunicar para a Paz e para a Não Violência implica pensar não apenas a sociedade mas também os limites éticos e legais do exercício da actividade jornalística.

Podemos, por exemplo, levantar questões como as seguintes:

$1·        Como prevenir que, em lugar do debate de ideias, se promovam acusações pessoais?

$1·        Como prevenir esse acto de violência que consiste em acusar alguém sem apresentar o contraditório?

$1·        Como prevenir que, em nome da liberdade de imprensa, se promovam pronunciamentos de ódio racial, étnico, religioso ou de género?

$1·        Como proceder para evitar que, em nome do direito à palavra, deixemos que se reproduzam, nos nossos órgãos de informação, incitamentos ao ódio e à violência?

$1·        Como prevenir que o papel dos órgãos de comunicação seja o de retransmitir passivamente os discursos dos que incitam à agressão violenta e à divisão do país? 

Ilustres participantes;

Minhas Senhoras e Meus Senhores!

O jornalismo moçambicano tem um percurso de que se deve orgulhar na luta pela conquista e consolidação da independência e na construção do orgulho de sermos moçambicanos.

Queremos lembrar aqui aqueles que deram as suas vidas pela defesa da liberdade, pela defesa de uma pátria conduzida por valores de ética e dignidade. Esse sacrifício não será esquecido, não será ignorado.

Estamos certos que é sobre este legado de dever e de honra que esta conferência se vai inspirar para pensar como aprofundar a defesa de uma sociedade livre e plural, e de uma consciência patriótica e amante da Paz.

Os resultados dos vossos debates poderão contribuir decisivamente para a formação de uma opinião pública construtiva, informada e educada, reforçando a nossa moçambicanidade.

Encorajamos aos profissionais da comunicação social a continuar a exercer os seus direitos cientes de que os direitos não são ilimitados, tendo em conta que não existe liberdade sem responsabilidade.

Deixamos à vossa inteira responsabilidade para identificar a melhor forma da vossa participação na promoção e preservação da paz.

Com estas palavras sentimos que demos a nossa contribuição para o sucesso da vossa Conferência e declaro aberta a Conferência Nacional sobre Comunicação Social, Violência e Paz.

Muito Obrigado!

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